Minha vida virou o GTA

Calma, vamos por partes, não estou dizendo que eu sou um cafetão ou que estou roubando carros e matando pessoas na rua. Acontece que esses dias estava conversando sobre videogame com algumas pessoas do trabalho e disse que eu só gostava de jogos com fases – tipo Mario, Donkey Kong ou qualquer outro que siga uma ordem lógica e fechada de etapas. O problema com os jogos muito livres, como o GTA, é que eu perdia o foco das missões e, ao invés de fazer o que deveria fazer, eu acabava saindo pelas ruas fazendo tudo quanto é tipo de loucura – menos avançando no jogo e cumprindo as missões.

Hoje, me revirando na cama como todos os dias, sem conseguir dormir, me dei conta que o que tanto me assombra desde o começo do ano é que eu saí de um Super Mario e agora estou, veja bem, no GTA. Minha vida sempre seguiu de forma correta, com etapas: primeira, segunda, terceira, quarta série. Ensino Médio, vestibular, faculdade, estágio, TCC, formatura. Tudo nos conformes, fases fechadas, era só seguir, passar, enfrentar o chefão e vida que segue. Tirando a escolha do curso (conheço uns que ainda estão emperrados nessa fase – é compreensível, a decisão é tensa mesmo), o resto é imposto, sem deixar muita brecha pro livre arbítrio.

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No entanto, a vida após a formatura é bem caótica: tem gente que largou tudo e está estudando em outro país, alguns estão fazendo trainee em empresas tradicionais, outros estão seguindo carreira em agência, fazendo pós, tem até uns que largaram o Jornalismo pra vender cosmético – dá mais dinheiro e ainda tem a chance de ganhar o carro rosa-calcinha. Cada um foi seguir um sonho diferente, cada qual com uma missão de vida.

O leque de escolhas é quase infinito! Mesmo eu, que já estabeleci algumas missões, como por exemplo escrever um romance, fazer mestrado, aprender um novo idioma, viajar para o exterior e ter meu próprio apartamento, não sei muito bem por qual missão começar, onde vale a pena investir meu tempo e dinheiro. Tõ no GTA da vida, com várias opções pela frente e sem muito foco pra decidir por onde começar. Pensando bem, deve ser por isso que também não gosto muito de quebra-cabeça.

No GTA e na vida tudo é possível ¯\_(ツ)_/¯

No GTA e na vida tudo é possível ¯\_(ツ)_/¯

O amor que merecemos

O Dia dos Namorados está chegando, mas eu quero falar mesmo é sobre ser solteira e estar bem solteira. Sei bem que a pressão nessa época é tão grande que às vezes parece que quem está só acaba sentindo a data mais do que quem está em um relacionamento. Isso porque a mídia e as redes sociais só lembram os solteiros de que eles ainda não encontraram uma pessoa especial para dividir a vida.

O que eu vou falar pode soar clichê, e é, mas foi algo que custei a aprender: antes de estarmos emocionalmente prontos para um relacionamento, precisamos antes de tudo estar bem com nós mesmos, exatamente como dizem em “As vantagens de ser invisível”: nós aceitamos o amor que achamos que merecemos. E, se não temos amor próprio, acabamos nos envolvendo em relações tóxicas que não nos dão nada além de migalhas e sofrimento porque, no fundo, achamos que não merecemos nada melhor que isso.

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Amor próprio, na verdade, nunca tinha sido meu forte, e isso pode explicar porque eu passei uns quatro anos solteira me enfiando em enrascadas (algumas são tragicômicas, inclusive, mas isso pode ser assunto para uma próxima hora). Qualquer rapaz que me desse o mínimo de atenção era o suficiente para eu me apaixonar, mesmo que ele me tratasse da forma errada, porque eu achava que eu não fosse capaz de arrumar alguém melhor. Juntei o medo de ficar sozinha com a autoestima baixa e pronto, virei um prato cheio para que as pessoas pisassem em mim.

Não estou dizendo que a culpa é minha por ter sido mal tratada tantas vezes, mas em alguns momentos eu me calei quando deveria ter me imposto, fiquei quando deveria ter ido embora sem pensar duas vezes. E parece que as pessoas ao redor sentem essa insegurança e não se aproximam, ou não conseguem ficar por muito tempo, mesmo as boas. Só quando eu amadureci e aprendi a ficar bem comigo mesma que eu consegui entrar em uma relação que me faz bem.

Por isso, nesse Dia dos Namorados não fique se martirizando por não ter ninguém. As coisas acontecem no tempo certo e você não precisa aceitar a primeira pessoa que aparecer por medo de ficar só. Com amor próprio e pessoas boas ao seu lado fica fácil ser feliz, e quando se é feliz fica mais fácil encontrar alguém legal para somar na sua vida. Aproveite a data para fazer alguma atividade que te dá prazer, se presentear e celebrar o que há de mais especial no mundo: você.

Carta às mães de meninas

Presume-se que a maioria das mães deseja para as suas filhas, acima de tudo, saúde e felicidade, correto? E, na cultura ocidental, a saúde e felicidade das mulheres é frequentemente associada à magreza. Todos os nossos modelos de beleza, saúde e felicidade, de Gisele Bundchen à Grazi Massafera, passando por Angelina Jolie e Kim Kardashian, são magras.

Por isso, não me surpreende que não são poucas as vezes que eu ouvi de amigas e conhecidas a pressão que elas sofrem das mães para emagrecerem, o que gera infelicidade e pode acarretar também em um transtorno alimentar, que não é nada saudável. Resolvi então sentar pra ter uma conversinha com essas mães, afinal a gente sabe que elas não fazem por mal.

1. Sua filha está saudável e feliz?

Antes de mais nada, precisamos deixar claro o que é realmente preocupação das mães e o que é desconto de frustrações pessoais em cima da sua mini me. Se a sua filha estiver gorda, mas estiver feliz, com a autoestima lá em cima e com a saúde ótima, você simplesmente está praticando bullying e sendo malvada com alguém que se espelha em você.

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Ser gorda não é defeito e sua filha não vai ser mais infeliz na vida por causa disso. No entanto, com certeza ela será infeliz com uma mãe do lado sempre criticando e apontando falhas. Reveja sua gordofobia, peça desculpas e pare de descontar sua frustração na sua filha.

Agora, se a sua filha estiver infeliz ou não estiver saudável…

2. Ajude da melhor forma que puder

Se você sabe que sua filha é sedentária, vive de junk food e está com algum problema de saúde decorrente disso, ou se ela está infeliz com o peso e deixando de aproveitar a vida por causa disso, aí sim é o caso de você, mãe, intervir por ela. Mas do jeito certo.

Eu e muitas das minhas amigas já tivemos o desprazer de escutar em casa comentários do tipo “Nossa, como você engordou, tem gordura saindo do seu jeans”, “Você vai pegar esse pedaço de lasanha, tem certeza?” ou “Se você continuar comendo desse jeito você nunca vai arrumar alguém”. Pois é, mulheres frequentemente crescem ouvindo essas coisas justo das pessoas que deveriam ser gentis com elas.

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Acredite, depois de ouvir comentários maldosos ninguém pensa “é verdade, vou começar academia amanhã e mudar radicalmente meus hábitos alimentares!”. Na maioria das vezes, escutar insultos só aumenta a ansiedade e quem já usa comida como conforto se afoga ainda mais nas mágoas e na comilança, engordando mais e mais. É um ciclo vicioso que só traz infelicidade.

As mães que realmente estão interessadas no bem-estar das filhas jamais devem usar a crueldade como arma. O correto é, assim como uma amiga, ajudar e dar apoio. Leve sua filha para a nutricionista, saia caminhar com ela, faça refeições saudáveis em casa e não a pressione para experimentar a sobremesa maravilhosa que você cozinhou no fim de semana. Converse com ela, faça ela se sentir amada por você independentemente de ser magra ou gorda. Assim, fica muito mais fácil ajudá-la, ok?

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Se você conhece uma mãe que faz isso com a filha ou com o filho não deixe de enviar o texto para ela. Sabemos que mães são maravilhosas e querem o nosso bem, mas todo mundo pisa na bola de vez em quando e é bom saber quando a gente está magoando alguém sem querer. 
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