Vale a pena conhecer: Laura Lannes

A Laura é uma artista que faz quadrinhos e ilustrações dos mais diversos temas. Conheci ela com uma série sensacional de ilustrações com os tweets do Kanye West, criando cenas absurdas e engraçadas. A Laura é carioca, nascida em 1991, e atualmente estuda ilustração na School of Visual Arts, em Nova York.

O mais interessante da arte da Laura é que ela testa diversos estilos, todos eles bem humorados e, assim como a Magra de Ruim, ela fala muito sobre temas femininos.

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Para conhecer melhor o trabalho dela, acesse seu Facebook ou seu site.

 

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Coisas que os homens não devem fazer

Bom, essa semana saiu um vídeo do Purosso com o título “Coisas que as mulheres não devem fazer”. Apesar de gostar dos vídeos dele, já abri com um pouco de medo por causa do título e fiquei com muito mais medo depois de ouvir ele falando que estava tomando um gole com o Edu Testosterona enquanto conversava sobre o assunto. Pra quem não sabe, Edu Testosterona é um homenzinho de merda que, pelo bem de vocês, não vou linkar aqui.

O vídeo acabou não sendo ruim como eu esperava, tem alguns tópicos batidos, mas deu pra ver que era uma brincadeira e, na minha opinião, não foi ofensivo.

Enfim, tirando algumas críticas de lado, vamos à parte legal: dizer para vocês, homens, o que vocês não devem fazer.

1. Reclamar de friendzone

Essa é uma regra essencial pra você, cara, que não quer ser um otário e afastar todas as mulheres ao seu redor. Se uma menina é legal, simpática e conversa com você, não significa que ela quer dar pra você. Se você acha uma menina bonita e trata ela bem, ela não tem a obrigação de querer ser sua namorada e ela ainda tem o direito de dar pra outros caras, simplesmente porque a vida é dela e se ela quiser dar pra você ou ter um relacionamento com você muito que bem.

Do mesmo jeito que você não é obrigado a comer quem te trata bem, ninguém é obrigada a fazer sexo com você porque você foi legal e se ofereceu pra pagar a bebida. Claro que existem mulheres que percebem o interesse do cara e aproveitam pra descolar uns mimos, mas também existem caras que só tratam bem a mulher com o objetivo de fazer sexo com ela. Nos dois casos, é desleal.

2. Achar que o sexo é um ato voltado para o prazer do homem

Alguns homens tem um problema muito sério ao achar que o mundo gira em torno do pinto deles e levam isso pra cama. Resultado? Amam receber sexo oral, mas não fazem; não sabem nem como funciona a anatomia feminina e fazem o ato em 1 minuto. Homens: não custa nada se dedicar um pouco à outra pessoa, ok? O seu esforço vai ser proporcional ao esforço dela.

3. Deixar a toalha em cima da cama

É clichê, mas me deixa louca pra caralho. Acho de bom tom não deixar a cama encharcada e com cheirinho de cachorro molhado. A cama deve ser um cantinho da casa cheiroso e sequinho.

4. Fazer pirocóptero enquanto faz xixi e deixar a tampa levantada

Porque essa me parece a única explicação para entrar em um banheiro e descobrir que tem gotículas de xixi pra todo lado. É nojento, deixa um cheiro ruim e ninguém merece entrar em um lugar que fede à banheiro químico de festival de música. Tenham higiene, mesmo que vocês tenham o pinto meio torto. E, ao sair, por favor abaixem a tampa do vaso, é um detalhe pequeno que faz toda a diferença pras mulheres.

5. Fazer xixi na rua

Conversei com outras mulheres que também sentem o maior nojo de ver um cara no meio da rua com a calça arriada e o pau de fora deixando as ruas da cidade mais fedidas. Tem banheiro pra caramba no mundo, caras, não custa nada esperar mais 5 minutinhos para encontrar um. Se a gente consegue esperar, vocês também conseguem.

6. Reclamar de cu doce da menina, mas chamar as outras de vadias

No vídeo, o Purosso fala que as mulheres não devem fazer fogo de palha, ou seja: ficar dando a entender que quer sexo, mas no último minuto do segundo tempo virar e ir embora. Primeiro: as pessoas podem mudar de ideia no meio do caminho, acontece, bate uma punheta sozinho que passa a frustração. Segundo: tem muito homem reclamando disso, mas que não perde uma oportunidade de chamar uma menina de vadia, fácil e rodada quando ela exerce sua sexualidade livremente. Então é claro que algumas mulheres, por medo desse estigma que podem prejudicar elas não só na vida amorosa, como também no trabalho e na faculdade, preferem ter certeza de que o cara não vai ser um desses imbecis que vai julgar ela mais tarde. Espere, converse, respeite, se mostre digno da confiança dela e… problema resolvido. Se ela quiser, ela vai transar com você. Se não, bate uma que passa.

Por último: claro que, assim como o vídeo, isso não passa de uma brincadeira. Cada homem e cada mulher agem como bem entendem, mas existem coisas tipicamente femininas que irritam os homens, do mesmo jeito que existem manias masculinas que enlouquecem as mulheres. O objetivo não é ofender ninguém, mas mostrar o outro lado da moeda.

Antonio, no sapatão ou nu de botas

Era um ritual sagrado: a cada quinzena, quando chegava em casa uma revista Capricho, eu arrebentava a embalagem plástica e abria direto na última página. Estive Pensando era a minha página favorita, em seguida da penúltima página, e os dois autores dividiam um mesmo sobrenome: Prata. Por um tempo, cheguei a me perguntar se eles eram irmãos, primos ou marido e mulher. Mais tarde, descobri que a Liliane e o Antonio não tinham nenhum parentesco, mas que ele era filho de um escritor, o Mário Prata. Dos três, o Antonio sempre foi meu preferido.

Eu, na neurose da minha pré adolescência, tinha uma dificuldade danada em me adaptar ao mundo. Tinha o cabelo ondulado e volumoso, era mais gorda que quase todas as pessoas do colégio e tinha um gosto um pouco diferente para música e cinema, o que fazia eu me sentir totalmente inadequada naquele cenário horrível que é a escola. Por isso, era quase como receber um abraço quando eu lia as colunas do Antonio e percebia que esse período da vida é bem estranho mesmo, mas que acaba e uma hora ou outra a gente aprende a se encaixar nas convenções sociais da vida. E eu achava muito engraçado como um cara, com vinte e tantos anos, conseguia entender tão bem os meus dramas de menina.

Obviamente, desenvolvi uma espécie de paixão platônica literária por ele. Enquanto muitas meninas sonhavam com os caras do RBD, tudo que eu mais queria era encontrar um cara legal com o Antonio um dia, mesmo com uma incógnita: eu não fazia a menor ideia de como era o rosto dele. Ficava imaginando se ele era descolado, nerd (era o mais provável), se tinha o cabelo castanho claro ou escuro, qual era a altura dele, se os dentes eram tortos ou se o sorriso dele era digno de propaganda de creme dental. Até que um dia, no Orkut, encontrei uma foto dele:

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Meu amor platônico no sapatão

Sim, a vida era engraçada o suficiente pra você admirar um cara sorridente dentro de um sapato gigante. E, mesmo ele não sendo exatamente um global, eu fiquei ainda mais encantada. A gente tem dessas, né. Continuei acompanhando ele no blog, no Estadão, e mais tarde na Folha. No ano passado, ganhei Nu, de botas de Natal da minha irmã. E dei pra ela o mesmo livro.

O livro, de 2013, é uma coleção de crônicas sobre a infância de Antonio. Ele consegue escrever de um jeito tão simples, mas que me transportou várias vezes para o lado dele. No carro, indo para o interior, ou na casa do Fábio Pequeno. Ri com o papagaio Getulio e tive um pouco de dó quando ele falou de todos os animais de estimação que passaram pela sua casa. Às vezes, quase sinto como se o conhecesse.

Os anos foram passando, eu cresci, e continuo nutrindo uma admiração absurda pelo Antonio. Se um dia o encontrar, irei agradecer pelos anos de companhia.

 

Perdas irreparáveis

Os últimos dias foram atípicos, e muito triste, para a literatura brasileira. Assumo que do Rubem Alves já li algumas crônicas, não mais que isso. Do João Ubaldo Ribeiro não li nada, mas me chacoalhei de curiosidade quando me falaram sobre A Casa dos Budas Ditosos, um livro sobre o pecado capital da luxúria que faz parte da coleção Plenos Pecados. Do Ariano Suassuna, no entanto, há algo que me marcou muito, e não tem nada a ver com a sua escrita ou suas obras literárias.

Um dia eu estava deitada com a minha mãe na cama dela assistindo TV – isso era algo extremamente comum, já que nós duas gostávamos de ficar quietas, mas ao mesmo tempo aproveitar a companhia uma da outra – quando começou uma entrevista com o Suassuna na Globo News. Não me lembro exatamente de qual era o contexto da conversa do escritor com o jornalista, mas em certo ponto ele declarou que, mesmo velho, sentia falta do seu pai, já falecido, todos os dias e que a saudade permanecia a mesma. Quando olhei para a minha mãe, ela estava chorando e me disse que se sentia exatamente assim em relação ao pai dela. Meu vô morreu quando ela tinha apenas 4 anos, e mesmo depois de quase 50 anos a saudade ainda era igual.

No meu caso não faz muito tempo. Perdi a minha mãe há menos de um ano, e cada dia é diferente. Às vezes eu rio lembrando de algumas coisas que fizemos juntas, em outros dias eu fico inconsolável imaginando como que eu vou conseguir viver o resto da minha vida sem ela, e nos piores dias eu só consigo me perguntar que Deus seria tão cruel para deixar ela ficar doente daquela forma. De qualquer maneira, todos os dias eu me lembro dela e sinto uma saudade que não diminui, e sei que até o fim da minha vida vou carregar esse sentimento comigo.

Espero que, onde quer que ela esteja, ela tenha reencontrado o meu vô. E que um dia eu possa ir para lá me reencontrar com ela.

Vale a pena conhecer: Magra de Ruim

Tem muita coisa no Facebook que me deixa com vontade de deletar a conta. É tanto comentário maldoso, propagação de notícias falsas e preconceito que volte e meia eu penso em sair da rede só para não precisar ver. Entretanto, existem alguns trabalhos divulgados no Facebook que me fazem um pouquinho mais feliz todos os dias, e essa nova seção do blog surgiu para eu dividir um pouco os trabalhos interessantes que eu acompanho.

A Sirlanney é uma artista que faz quadrinhos extremamente sensíveis que tratam de temas diversos, mas principalmente sobre ser mulher, sobre amor e sobre a vida no geral. Ela tem o dom de dar cor às pequenas coisas da vida e fazer críticas de uma forma sutil, sem ser agressiva. De acordo com o Tumblr da Sirlanney, ela utiliza principalmente aquarela, guache, nanquim e Photoshop nas suas obras. Ela também publica seu trabalho no Facebook. Melhor do que falar sobre o trabalho dela é ver ele de perto:

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Gostaram da sugestão? Se conhecerem algum trabalho legal para indicar, me contem nos comentários!

Poderia ser, mas não foi

As grandes obras de ficção científica não se tornam clássicos por preverem o futuro, terem qualidade técnica impecável ou serem totalmente originais, mostrando algo que nunca foi visto antes. Claro, muitas delas possuem essas qualidades, a exemplo de 1984 na literatura e Star Wars no cinema, mas o grande mérito dos clássicos da ficção científica é conseguir propor, em um mundo tão diferente do nosso, reflexões tão importantes para as relações humanas.

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Apesar de a Los Angeles em 2019 do filme ser bem diferente do que provavelmente será daqui cinco anos, a qualidade técnica e a reflexão proposta por Blade Runner, dirigido por Ridley Scott,  podem ser percebidas de imediato. O protagonista Rick Deckard, interpretado por Harrison Ford, é um caçador de robôs com aparência humana e força assustadora, chamados de replicantes. Apesar de terem sido criados para a colonização de outros planetas, alguns escapam para a Terra e Deckard, ex-policial de um esquadrão de elite, conhecido como Blade Runner, deve matá-los.

O filme tem qualidade técnica inquestionável, no entanto o ritmo da narrativa faz com que ele se torne maçante para o espectador, já que o herói é muito mais lento do que o Harrison Ford que aprendemos a amar como Han Solo, e o desenrolar da história não causa muita curiosidade para quem assiste. Mesmo assim, o final de Blade Runner se justifica: o monólogo de um dos replicantes é o que salva o filme e fecha a narrativa dando significado ao filme – já que o romance entre Deckard e uma replicante, que deveria propor uma reflexão sobre o rumo da humanidade com o uso da tecnologia, é mal explorado durante o longa e o casal não tem qualquer empatia.

Sem dúvida, não é um filme terrível, mas passa muito longe de ser extraordinário. A superficialidade dos personagens e a narrativa que se perde algumas vezes faz com que uma história promissora, que se tornou um clássico do gênero, não me envolvesse. Apesar dos elementos que deram certo e deram prestígio ao filme, Blade Runner deixou a desejar.

Análise de um liberal sem medo do chorume

Para variar um pouco os assuntos desse blog, hoje eu sou falar sobre os homens. Nada mais adequado, afinal hoje é comemorado no Brasil o Dia do Homem. E não, não é o dia de você defender o direito de assediar mulher na rua, tirar sarro de homossexuais e bater nos outros – isso é ser otário, ser homem é outra coisa.

O dia não tem nada a ver com os seus direitos como homem branco heterossexual de classe média, mas sim com a saúde dos homens. E nada mais justo: antigamente, era sinônimo de masculinidade não mostrar que está sentindo dor, não ir ao médico e achar “coisa de viado” fazer o exame da próstata. Eu entendo, moços, que deve ser bem esquisito o exame do toque, mas acredite, mulher também não se diverte nem um pouco no ginecologista, mas nesses momentos a gente tem que pensar que a saúde é mais importante do que o desconforto. Ainda bem que hoje em dia, nesse mundo moderno, os homens não pensam mais assim… Né?

Alguns podem até pensar, mas não é o caso do Rodrigo Constantino, “um liberal sem medo da polêmica”, como ele mesmo se descreve em seu blog (quem muito busca polêmica geralmente não está falando coisa boa, pode reparar). Na coluna de ontem, ele indaga onde estão um machos. De acordo com o queridão, grande parte dos homens não são mais machos porque eles choram, eles brocham às vezes, nem todos tem a conta bancária do Roberto Justus, nem todos gostam de futebol e (graças a deus) nem todos desrespeitam as mulheres. Essa diversidade, para ele, é terrível. Afinal, onde estão os machos “de verdade”?

Olha, primeiro que Criolo já falou que não dá pra colocar gente em caixinha de leite, né. Um homem que chora não necessariamente é um frouxo, e o homem que nunca brocha não necessariamente faz um bom trabalho, às vezes ele só é uma britadeira mesmo, e toda mulher sabe que não existe homem mais chato do que o homem-britadeira. O homem que brocha vez ou outra pode ter uma média melhor do que a do homem-viagra no que diz respeito ao prazer que ele proporciona. O provedor pode não deixar faltar comida em casa, mas isso não significa necessariamente que ele seja um bom marido ou um bom pai.

E ele ainda diz “que a turma moderninha vai logo me acusar de neandertal, reacionário, machista e preconceituoso”. Sim, Constantino, eu sou da turma moderninha que acredita que o homem pode chorar, pode ter sentimentos, pode trabalhar para pagar as contas e também ajudar a fazer a janta. Nós, mulheres “moderninhas”, não queremos um provedor: nós queremos um parceiro. Não quero ser dependente financeiramente de ninguém e não quero ter que lavar toda a louça sozinha. E o seu direito de ser um “macho” do jeito que você quiser não deveria oprimir o direito de outros homens serem machos do jeito que eles bem entenderem.

Aliás, mulheres que já assistiram Breaking Bad: o fofo coloca como macho exemplar o Walter White. SIM, aquele mesmo que colocou a família inteira em risco, foi desonesto com a mulher e fode com tudo por achar que o homem deve ser o provedor. Sério mesmo, produção?

Pois eu digo aos homens que sejam vocês mais ou menos sensíveis, mais ou menos ricos: a masculinidade e a virilidade de vocês não está nessa cagação de regra do senhor Constantino. Se você for uma boa pessoa, tratar bem a sua companhia (homem ou mulher, afinal ser gay não te faz menos homem) e respeitar os outros, você vai ser um homem digno. Esse macho que o colunista descreve é, pra mim, um machinho incomodado e opressor. E não existe nada mais brochante do que um opressor.