Porque a internet salvou minha adolescência

Deixa eu contar uma coisa para vocês: é muito difícil ser uma criança feia. Sério, sem drama. Quando todas as princesas da Disney são loiras e lindas e quando todas as mães das crianças estão fazendo alguma dieta e chamando os outros de gordos e feios na frente dos filhos, a escola vira quase uma ditadura de padrão de beleza. Na pré-adolescência, então, fica ainda mais difícil sobreviver se você passa longe de ser bonita e/ou popular. Por isso, eu agradeço imensamente por ter nascido na época da internet. Há 10, 12 anos, a gente tinha uma internet muito precária, mas que me ajudou a superar a adolescência e o bullying sem grandes traumas.

Uma das coisas que eu mais gosto da internet – e que não é muito bem explorada atualmente – é a possibilidade de conhecer pessoas que talvez você nunca tivesse a chance se não fosse através do computador. Na internet old school, discada e com altos bate-papos da UOL, eu conheci muitas pessoas que tinham o perfil parecido com o meu, e ficou fácil fazer amigos – algo inimaginável no colégio. E com o tempo foram surgindo os blogs do Blogger, os Fotologs, e fui conhecendo muitos adolescentes que gostavam do mesmo estilo de música que eu e que tinham interesses literários parecidos. Fiz amigas de Curitiba, São Paulo, Fortaleza, e aquela solidão que eu sentia por ser excluída das festinhas da escola foi amenizando.

E aí, mais tarde, surgiu o Livejournal. Acho que nenhuma rede conseguiu ser tão pessoal quanto ele, já que enquanto as pessoas estavam se pagando de gatinhas no Orkut, as pessoas reais estavam contando a vida inteira delas no Livejournal, que oferecia a opção maravilhosa de trancar o seu blog e só deixar disponível para pessoas autorizadas. Ali, longe dos parentes, era possível expulsar os demônios e fazer mimimi sem medo de ser infeliz (e feliz também). Sempre gostei muito de plataformas de blog, e acho que essa era uma das mais interessantes.

Sem querer fazer a tia velha saudosista, mas nessa época a internet era um lugar muito mais honesto. As pessoas eram mais ingênuas, acho, e era difícil quem ganhasse dinheiro na internet, por isso ainda não existiam esses blogs com ~conteúdo~ puramente publicitário e marketeiro. As pessoas compartilhavam mais GIFs cafonas e falavam menos chorume sobre política. Hoje em dia ainda tem algumas coisas boas – como o Twitter, alguns blogs bem interessantes e algumas propostas interessantes como o Tumblr e o Pinterest, mas que às vezes dá uma saudade da internet de 10 anos atrás (tirando a velocidade, né), dá.

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. 

A Copa e os machinhos incomodados

Desde que começou a Copa, tem um comportamento que está incomodado muito homem (e também algumas mulheres): o fato de as brasileiras estarem bem empolgadas com a chegada dos gringos. O apelo deles no país é tão grande que já tem brasileiro se passando por gringo pra conseguir conhecer mulher. Já li e ouvi que é por isso que os gringos não respeitam as mulheres daqui (como se a maioria dos brasileiros respeitassem, né?), que elas não “se dão o respeito” (por favor, parem de usar essa expressão para querer justificar seu pensamento arcaico), que estão desesperadas… E mais um monte de chorume.

A indignação dos homens se dá por algumas razões, e a principal delas, por mais que eles neguem, é porque as mulheres, de forma descarada, estão fazendo algo que por muito tempo foi direito apenas deles: escolher e ir atrás. Nas baladas da vida, é comum as mulheres ficarem tranquilas, dançando, e quando estão interessadas olharem para os homens, mas se “fazerem de difícil”. A iniciativa, todos dizem, tem que ser do homem. Mulher atirada é feio, assusta, é coisa de puta, de vagabunda, porque quem tem que escolher é o homem. Agora, que tem homens diferentes, elas resolveram tomar a posição de escolher ao invés de serem escolhidas. Os machinhos que não foram escolhidos ficaram doídos. Que dó.

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Outro motivo para os homens ficarem incomodados com o comportamento feminino é que “elas estão com síndrome de vira-lata, acham que só porque é de fora é melhor”. Agora você, homem, me diga: vai ter um evento cheio de russa linda maravilhosa com uma beleza diferente da beleza brasileira. Você vai ficar parado? Vai valorizar as mulheres brasileiras e não vai querer conhecer as gringas? Claro que vocês iriam que nem loucos atrás das moças do exterior, poxa. Seja para buscar amizade, pegação ou relacionamento, a Copa é uma oportunidade para conhecer pessoas diferentes, culturas diferentes.

E, se as mulheres estão tão desesperadas por homens de fora, é porque alguns hábitos do brasileiro já estão cansando: a mania de nos dividir entre “mulher para pegar” e “mulher para namorar”, a desonestidade de fingir sentimento pra conseguir sexo (tem mulher que topa sexo sem mimimi numa boa, ok? não precisa do teatrinho pra enganar) e a arrogância de tratar mal as mulheres por achar que “tem muita mulher pra pouco homem”. E olha, pode ter certeza, pra homem gente boa vai sempre ter espaço, seja durante a Copa ou não.

Criticar elas por “valorizarem gringo” é fazer o mesmo que algumas mulheres fazem ao criticarem os homens por irem atrás só da beleza na hora de escolher alguém. Na hora da pegação, as pessoas usam critérios superficiais, seja ele o tamanho dos peitos ou a nacionalidade que consta no passaporte. São motivos fúteis? Sim, mas legítimos. Se incomodar com o flerte feminino durante a Copa é mais uma forma de ficar querendo dar pitaco na sexualidade dos outros. Deixem as gurias aproveitarem, poxa.

Broad City e as mulheres reais

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É a Abbi e a Ilana, mas poderia muito bem ser eu.

Depois de ler diversas resenhas positivas sobre o seriado e ter a indicação de um amigo, resolvi dar uma chance para Broad City nas férias. E olha: valeu muito a pena. Criado por Abbi Jacobson e Ilana Glazer, Broad City é sobre duas amigas – Abbi e Ilana, interpretada por elas mesmas – vivendo em Nova York. E não, não é a mesma coisa que Girls. Apesar de gostar muito da Lena Dunham e do seriado dela, Girls ainda apresenta um cenário muito diferente da vida real.

Broad City, por outro lado, é uma comédia meio absurda e, ao mesmo tempo, muito verdadeira. Procurando mais sobre a série, descobri que ela começou com episódios online e acredito que essa seja uma das razões para o seriado ser bem mais livre. Ele mostra mulheres nojentas, que trabalham em cargos nada glamurosos para ganhar bem pouco, fumam maconha e não tem o corpo perfeito. Ou seja: ideal para as espectadoras não terminarem cada episódio se sentindo um lixo (ou vai dizer que ficar vendo a Carrie Bradshaw trabalhando pouco e ganhando o suficiente pra bancar roupas de grife não dá um pouco de raiva?).

Abbi e Ilana são mulheres que passam por problemas reais, usam o transporte público, não nadam em dinheiro, não andam impecáveis por aí e, mesmo assim, se divertem muito. Muito mais fácil se identificar com isso do que com as bonecas barbies da maioria dos seriados e, além disso, elas oferecem piadas tão boas quanto Parks and Recreation ou The Office. Para se ter uma ideia, o primeiro episódio de Broad City mostra a Ilana roubando itens do escritório em que trabalha para conseguir dinheiro pro show do Lil Wayne. Em outro, a Abbi faz cocô quando tem um monte de gente em casa e não consegue dar a descarga de jeito nenhum (já imaginou acontecendo isso em Gossip Girl? Pois é!).

E, como muito homem ainda tem preconceito com séries feitas por mulheres (sim, pleno 2014 e vocês fazem questão de colocar tudo no pacote “mulherzinha”), fica o aviso: é uma série feita por mulheres, mas com temas que vão muito além dos temas considerados femininos pela televisão (homens, sapatos, etc). É uma comédia muito engraçada e com carinha de feita em casa, indicada pra quem tem esse humor mais sem vergonha.

Obrigada, Ilana e Abbi!

Obrigada, Ilana e Abbi!

Resenha: Como ter uma vida normal sendo louca

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Que a Jana Rosa é maravilhosa eu já sabia.  Há algum tempo, não muito, acompanho o blog e as redes sociais dela, que é um modelo pra mim de mulher interessante e estilosa. Sério, já posso roubar o guarda-roupa dela? Por isso, quando eu vi que ela iria lançar um livro imediatamente coloquei na minha lista de desejos, e de tanto ficar olhando ele no site da Saraiva e quase comprando, acabei ganhando ele de aniversário de uma amiga do trabalho.

“Como ter uma vida normal sendo louca” é uma autoajuda às avessas escrito em quatro mãos com a roteirista Camila Fremder e ilustrado pela Jana que fala sobre diversos assuntos do mundo feminino com muita leveza e humor, tirando sarro de coisas que mulheres são acostumadas a ler  nas revistas femininas. “Dicas para perder peso”, algo que toda mulher já leu nas publicações voltadas para o gênero, vira “como ser acima do peso sem ninguém perceber” (não lembro o nome exato do capítulo, mas é algo parecido com isso). A obra é muito engraçada e mostra o quão bizarro são os padrões que a sociedade impõe para as mulheres.

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Enquanto eu lia cheguei a rir alto em público algumas vezes, já que elas criam situações absurdas e, para dar unidade ao livro, criam alguns “personagens” para utilizar em diversas situações, como o namorado rico e gringo imaginário chamado Breno e o psicopata romântico (inclusive já convivi com vários e olha, realmente faz um bem danado pra autoestima). As ilustrações da Jana são lindas e casam perfeitamente com o texto.

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“Como ter uma vida normal sendo louca” é aquele tipo de livro que não acrescenta muito, mas é excelente para passar o tempo e dar boas risadas, além de nos ensinar a abraçarmos a nossa loucura. O texto flui tão bem que fica difícil largar, e confesso que já estou com saudades de ler ele quando chego em casa. Bem que a dupla poderia lançar outro livro logo.

 

10 razões para assistir Orphan Black

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Orphan Black é aquele tipo de seriado que já me conquistou na primeira cena. Como o Netflix é uma coisa linda de deus que disponibilizou a primeira temporada inteira, eu fiquei vidrada na série e foi questão de uma semana para que eu tivesse visto os 10 episódios e convencido mais umas cinco pessoas a começarem a ver – para eu ter com quem comentar os episódios.

O seriado é uma ficção científica produzida no Canadá com diversas referências a outras obras do gênero, mas que possui diversas características que a fazem ser original e encantadora. Abaixo, listo as principais razões para amar – muito – Orphan Black e todas as clones (sim, a partir da segunda temporada se torna impossível não criar uma simpatia por todas elas):

1. A primeira cena

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O piloto de Orphan Black começa com a Sarah, a protagonista, descendo de uma estação de trem. Ela vê uma mulher idêntica a ela cometendo suicídio na estação, e resolve roubar a identidade da morta, que descobrimos ser Elizabeth Childs. A cena é muito foda, e não é a toa que ela era uma ideia antiga dos criadores da série, que não sabiam como continuar a história depois desse ponto. Para a nossa sorte, eles encontraram o enredo perfeito para dar continuidade.

2. Tatiana Maslany

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A protagonista citada acima, Sarah, é interpretada pela Tatiana Maslany. Assim como a Elizabeth Childs, a Helena, a Alisson, a Cosima… sim, UMA atriz faz todas essas personagens (e outras que aparecem na segunda temporada) e a atuação dela é impecável em cada uma delas. A Tatiana já disse em entrevista que United States of Tara foi uma das inspirações que ela utilizou para fazer os diversos papéis, e uma das coisas mais legais do seriado é que às vezes ela interpreta a personagem X fingindo que é a personagem Y, entende? E ela faz tudo isso com maestria.

3. O suspense (na medida certa)

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Alguns seriados fazem com que a gente perca o interesse logo, seja por entregar tudo de bandeja, seja por fazer tanto mistério a ponto de cansar os espectadores (oi, Pretty Little Liars!). No caso de Orphan Black, pelo menos até a segunda temporada, eles mantém um ritmo interessante, com surpresas ao longo dos episódios, mas deixando algumas questões em aberto. Estou na segunda temporada e me parece que ainda tem material para chegar até a quinta tranquilamente.

4. Os estilos das clones

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Um dos motivos que me fez ficar encantada por Orphan Black é o estilo da Sarah: diferente das protagonistas de seriados adolescentes, como Gossip Girl e The OC, ela não é nada impecável, mas tem um estilo maravilhoso. A Sarah usa roupas super estilosas, a Cosima usa maquiagem linda nos olhos, a Helena usa uns coturnos bem bonitos… Até a Alisson, que tem um estilo soccer mom (totalmente diferente do meu gosto), sabe se vestir bem. Cada uma, a seu modo, é cheia de estilo e consegue nos inspirar no dia-a-dia.

5. Ficção científica perfeita

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Não quero soltar spoiler, por isso vou ser breve, mas o seriado tem todos os elementos de uma boa ficção científica. O mistério, a ciência e a tecnologia estão presentes, assim como um jogo de poder e alguns dramas de família para deixar a história ainda mais interessante.

6. Helena

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Todas as clones possuem uma história muito interessante, mas uma das mais intrigantes é a Helena: ao longo do seriado descobrimos algumas informações sobre quem ela é e de onde ela veio, mas ainda há muito a se descobrir sobre a personagem. Além disso, a personalidade dela é algo totalmente fora do comum, o que aumenta ainda mais a nossa curiosidade sobre a “meathead” das clones.

7. Mrs S. 

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Ela é um dos grandes mistérios da série. Durante os episódios eu já amei e odiei ela, hoje em dia já nem sei o que pensar. Ainda tem muito a ser desvendado sobre ela, e sobre de qual lado ela está.

8. Personagens masculinos

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Apesar de ser um seriado que aparece muito mais mulher do que homem, especialmente as personagens da Tatiana Maslany, Orphan Black tem personagens masculinos tão interessantes quanto as clones. O dr. Leekie e o Paul, por exemplo, são dois enigmas: assim como a Mrs. S., a gente ama e odeia eles. Já o Felix é um personagem gay muito divertido que vive ajudando as clones de todas as formas possíveis. E tem o Art, que é um policial durão, mas simplesmente adorável.

9. O humor

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Orphan Black tem um humor meio malvado, já que geralmente envolve a morte ou a desgraça de alguém (especialmente nas histórias da Alisson, a clone soccer mom). E o seriado já fez piada com pum, tem como amar mais? Não, não tem.

10. Clone Club

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O seriado inteiro é maravilho e você precisa assistir agora, mas caso você ainda não tenha se convencido, saiba que uma das coisas mais lindas de Orphan Black é relação entre as clones: elas são muito diferentes, mas ao mesmo tempo muito unidas (bom, na maior parte do tempo). Além disso, elas são exemplos de mulheres fortes, cheias de personalidade e inteligentes, fazendo com que a gente ame todas (Tatiana Maslany, casa comigo). Sério, vai assistir agora!

Majub’s Journey: holofotes no coadjuvante

Após assistir à Majub’s Journey, da alemã Eva Knopf, saí do cinema extremamente encantada com a forma que a diretora nos apresentou uma história que estava há muito tempo escondida. O documentário fez parte da 3ª edição do festival Olhar de Cinema e foi exibido logo depois de um curta cearense. O longa me inseriu em um universo extremamente sensível e relevante que conta a história do africano Mohamed Husen, ator que aparece em diversos filmes produzidos na Alemanha da década de 1930, mas sempre em papéis como ascensorista, motorista e empregado. “Parte humano, parte cenário”, como descreve a diretora, Mohamed era lembrado quando precisavam de um personagem negro.

Mohamed era sempre coadjuvante, quase parte do cenário.

Mohamed era sempre coadjuvante, quase parte do cenário.

Em entrevista por e-mail, ela me contou que conheceu Mohamed, o Majub, por meio de um artigo da professora Marianne Bechhaus-Gerst e imediatamente ficou empolgada para dar ao figurante o seu primeiro papel principal. “Eu queria inserir a história de Majub não só na história do cinema alemão, mas também na história da Alemanha. É comum que os documentaristas façam filmes sobre as ‘pessoas pequenas’, e no cinema as ‘pessoas pequenas’ são os figurantes” explicou Eva.

A ideia de fazer um documentário sobre um figurante é boa na teoria, mas a diretora me disse que encontrou muitas dificuldades para contar a trajetória de Mohamed na prática, especialmente pela escassez de imagens. Ela encontrou uma alternativa criativa quando ouviu falar de um monumento da época da colonização em um observatório em Hamburgo, que conseguia transmitir a ideologia da época em apenas uma imagem: o africano abaixo olhando para o alemão e o alemão, em uma posição superior, olhando para o céu. O longa, além de mostrar o racismo da época, também expõe a situação dos presos de guerra e das mulheres.

O monumento auxiliou a diretora a dar uma linha narrativa ao longa.

O monumento auxiliou a diretora a dar uma linha narrativa ao longa.

Outro empecilho enfrentado por Eva foi que não havia nenhum parente vivo do ator nem pessoas que o conheceram. “Eu não queria entrevistar especialistas na Alemanha nazista porque isso não me aproximaria do Majub emocionalmente” contou. Para driblar o problema, a diretora conseguiu encontrar em documentos da época as informações sobre a vida de Majub e, ao mesmo tempo, sobre como era ser negro na Alemanha nazista.

A sensibilidade da diretora e sua criatividade para conseguir fazer um longa com poucas imagens transformaram Majub’s Journey em um importante resgate histórico da Alemanha nazista mostrada por um ponto de vista diferente, além de fazer justiça com um homem que foi discriminado mesmo conseguindo se inserir em um mercado controlado pelo regime nazista. O documentário cumpre com uma das principais funções do jornalismo, que é dar vida às boas histórias.

Teste de Bechdel – 5 filmes

Para quem não conhece, o teste de Bechdel consiste em analisar uma obra – como um filme, um livro ou um seriado – com base em três regrinhas simples:

1. Ter no mínimo duas personagens mulheres com nomes.

2. As mulheres conversam entre si…

3. Sobre algo que não seja homem.

Parece bobo, não? Mas muitas obras, mesmo algumas histórias incríveis, não passam no teste. Aplicando as três regras com os homens, entretanto, é possível ver que a maioria dos filmes, séries e livros passam no teste, ou seja, a indústria cinematográfica e a literatura ainda dão um espaço muito pequeno às mulheres.

Por isso, resolvi pensar nos últimos cinco filmes que assisti para analisa-los sob o teste de Bechdel.

A Culpa é Das Estrelas

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Olha, eu amei o livro do John Green e estava muito empolgada pra versão cinematográfica. Vi ontem e realmente, corresponde às expectativas de quem leu o livro. Além da protagonista Hazel Grace, as únicas mulheres com nome no filme é a Monica, que não conversa com a Hazel em nenhum momento, e a assistente do Peter Van Houten, Lidewij, que conversa com a Hazel sobre outros assuntos que não homens. Portanto, A Culpa é Das Estrelas está aprovado.

Blade Runner

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Assisti esse filme por causa da faculdade e confesso que foi uma decepção total. Por ser um clássico eu fui assistir com expectativas altas e acabei achando grande parte do filme um porre. As replicantes, que podem ser consideradas mulheres, Rachael, Pris and Zhora, são as únicas com nome, mas em momento algum elas conversam durante o filme. Portanto, Blade Runner está reprovado.

Godzilla

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Eu adorei Godzilla. Mesmo. Ainda mais porque vi no IMAX, e apesar de ser uma história super clichê, o filme é bem feito e é ótimo pra se divertir em uma tarde. Entretanto, só duas mulheres tem nome no filme e em momento algum elas conversam. A Elle, esposa do Ford, é a que mais aparece no filme, mas além de ela não conversar com outra mulher, ela é uma paspalha que tem como única função correr atrás do marido. O filme é ótimo, mas está reprovado.

Do Lado de Fora

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O filme brasileiro é voltado para o público de gays, lésbicas e trans (nunca lembro a sigla completa, mas vocês pegaram o espírito). É uma comédia com atores medianos e vale só pela temática, e por uma piada ou outra. Além de ter duas personagens mulheres e lésbicas com nome, e que conversam sobre outros assuntos que não homens, tem uma atriz trans também. Portanto, filme aprovado no teste.

A Hora do Rango

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É um filme perfeito pra quem gosta de comédias non sense no estilo de Superbad e Cara, Cadê Meu Carro?. Tem algumas personagens mulheres com nome, mas confesso que não me lembrava se elas conversavam ou não. Procurei no site do teste e descobri que a Naomi e a Amy conversam no filme sobre atender clientes estrangeiros, portanto o A Hora do Rango está aprovado.

Fiquei bem feliz por ter atingido 3 de 5, isso já mostra que nem todos os filmes dão papéis sem importância para as mulheres – apesar de que o único filme dos cinco que analisei que tem uma protagonista mulher é A Culpa é Das Estrelas. Além disso, foi interessante perceber que o teste de forma alguma mede a qualidade do filme, mas sim a representatividade do gênero feminino no cinema.

Se conseguirem se lembrar dos últimos filmes que viram e quiserem analisa-los nos comentários eu vou adorar! E, para quem quiser, fica abaixo o vídeo que me inspirou a fazer o post: