Porque sou feminista – parte 2

Estou tão enjoada ao escrever essa mensagem, mas é algo que eu preciso compartilhar e, principalmente, pedir para vocês denunciarem. Esses dias tinha uma notícia sobre vagas de estacionamento para mulheres na Coreia do Sul – as vagas são maiores, porque né, nós mulheres somos deficientes e incapazes de estacionar um carro. Enfim, nos comentários tinha um otário falando que “lugar de mulher é no tanque lavando roupa”. Eu, como me indigno com as coisas e não fico calada, falei algo do tipo “e o seu lugar é carpindo um lote, não é falando merda aqui”, ou qualquer comentário contestando o que ele falou, mas sem grandes ofensas.

Eis que abro meu Facebook hoje e vejo a mensagem:

Sem título

 

Na imagem coloquei o link para o Facebook dele, basta clicar na imagem para abrir o perfil desse verme. ENTREM, DENUNCIEM. Homenzinho de merda não pode ficar impune.

Porque eu sou feminista

Isso eu encontrei em dez, quinze minutos de pesquisa sobre temas que costumam ter esse tipo de comentário. E não escondi nome nem nada de ninguém porque se a pessoa comentou em público ela está sujeita a ter o comentário reproduzido em outros espaços.

Estou pensando até em colecionar esses discursos de ódio e ir publicando aqui de vez em quando. Talvez assim fique mais fácil ver o tamanho do problema que nós temos.

Captura de Tela 2014-05-26 às 21.43.04

Captura de Tela 2014-05-26 às 21.44.54

Captura de Tela 2014-05-26 às 21.45.25

Captura de Tela 2014-05-26 às 21.52.45

Captura de Tela 2014-05-26 às 21.54.57

 

 

Chega de saudade

O luto é como o fim de um relacionamento, com a diferença de que não há um momento de superação, de esquecimento. Se existir, talvez eu ainda esteja longe de alcança-lo. É igualmente difícil nos dias ruins e nos dias bons: nos dias ruins, há a necessidade daquele colo, aquela palavra e aquele afago que só uma pessoa no mundo poderia oferecer – e eu simplesmente não posso pedir conselho para a minha mãe, ou deitar com ela debaixo da coberta com um pote de pipoca para assistir um filme do Woody Allen – essa não é mais uma opção nos meus momentos tristes. E por mais que eu tente conversar sobre isso com o meu namorado, com os meus amigos e com outros familiares (obrigada a todos, aliás, por não me deixarem surtar todos os dias – vocês são muito fodas), ainda fica aquele vazio que só poderia ser preenchido por apenas uma pessoa, aquela pessoa, e ela já não está mais aqui. Não está, nunca estará.

Nos dias bons não é muito diferente disso. Esses tempos, por exemplo, eu estava insatisfeita com um setor da minha vida. Por um tempo, fiquei parada reclamando todos os dias, me arrastando para fora da cama reclamando de como eu só conseguia ser feliz nos fins de semana. Fiquei meio sem saber o que fazer, estava em um ciclo de insatisfação difícil de ser quebrado – e mais uma vez, ela não estava lá para me aconselhar. É muito difícil perder exatamente aquela pessoa que você precisa – mais do que tudo, para tudo. Cheguei a ir em terapias, encontrar outras formas de me resolver, até finalmente entender o que eu queria e ir atrás. Nessa última semana, finalmente consegui. Fiquei segurando aquele sorriso de canto de boca, fui contando a novidade aos poucos para quem importava, compartilhando a minha felicidade, até que novamente bateu aquela ausência. Cade ela para me abraçar e dizer que está orgulhosa? Quem vai me dizer “eu falei pra você que o seu dom será o dom da felicidade”?

Feliz ou infelizmente, cada pessoa consegue ocupar um local exato na minha vida – e sem aquela parte essencial, eu surto. Fim de namoro a gente supera, segue em frente, conhece outras pessoas tão interessantes quanto – mesmo que aquela gratidão pelos bons momentos permaneça, e a gente fique feliz por ver que, longe da sua vida, aquela outra pessoa está bem. Já o luto é o fim decretado: não há muito o que fazer, você não pode saber como a outra pessoa está – se ela ainda está, e ninguém nunca vai substituir. É cicatriz aberta, é chuva que não passa. Dói nos dias ruins e nos dias bons – talvez, ainda mais nos bons. O luto não tem data para acabar.

O amor mais importante

Quando eu cheguei na faculdade, antes de começar a aula, eu sentei com algumas meninas da minha sala para conversar. No meio de vários assuntos, uma delas fala:

– Nenhuma mulher está satisfeita com ela mesma.

Incrédula, eu pedi para ela repetir, e ela repetiu.

– Sabe, nenhuma menina está totalmente satisfeita, sempre tem alguma coisa pra melhorar.

what-is-happening-mean-girls

Não sei se eu sou muito estranha, ingênua ou o que, mas essa frase me deixou extremamente triste. É um clichê, está em quase todas as publicações voltadas para o público feminino, mas é horrível ouvir que nenhuma mulher está feliz consigo mesma.

E antes que alguém pense qualquer coisa, eu não me acho maravilhosa, perfeita ou qualquer coisa assim. Meu cabelo é esquisito, minha pele não é perfeita, meu nariz tem um osso saltado, eu não sou magra, eu sou vesga, e eu poderia escrever ao menos mais umas 100 linhas falando para vocês de todos os meus defeitos. E, mesmo com todas essas “falhas”, eu estou satisfeita comigo mesma. Gosto de mim assim, desse jeitinho.

Tentei argumentar com ela que nem todas as mulheres estão insatisfeitas, já que todo mundo tem defeito, são apenas defeitos diferentes, em maior ou menor quantidade, e mesmo assim ela insistiu que a maioria das mulheres realmente está infeliz com a própria aparência. E sabe o pior? Provavelmente ela está certa.

Nós, mulheres, crescemos num mundo no qual é normal todas as mulheres buscarem a perfeição estética – e o Brasil sempre liderando os rankings de cirurgia plástica no mundo não me deixa mentir. Desde pequena eu vejo minha vó com vergonha de sair em fotos por ter rugas, minha mãe tentando uma nova dieta e amigas que, quando comem muito, vomitam por culpa.

tumblr_mjqzq5ludv1rijbg1o1_500

Isso é muito errado de tantas formas… Claro que, assim como qualquer ser humano, não acordamos nos sentindo bonitas todos os dias. No entanto, há uma grande diferença entre não se sentir ótima todos os dias e sentir, todos os dias, que você não é bonita e que você tem que mudar para ser feliz, para ser aceita. Eu, depois de muito tempo, aos poucos aprendi a me aceitar. Eu não sou linda, não sou perfeita, mas eu sei me olhar no espelho e me gostar. É impossível ser feliz sem gostar de si mesma, e lutar contra a própria imagem é uma batalha sem fim: quem não se aceita pode fazer todos os tratamentos e mudanças possíveis que vai sempre sentir que não é boa o suficiente.

Talvez meus conselhos não valham muita coisa, mas quanto mais bonita a gente se sente, mais bonita a gente se torna. É importante se alimentar bem, ser vaidosa e cuidar da própria imagem, mas sem a sensação de que você precisa se tornar outra pessoa. Amar a si mesma faz com que os outros te respeitem mais, te valorizem mais.

Para quem está se sentindo insatisfeita, eu indico alguns blogs de mulheres que fazem um trabalho realmente interessante em prol da autoestima:

Entre topetes e vinis – destaque para a Ju Romano, ela é um ótimo exemplo de beleza fora do padrão

Girls With Style – o #terçasemmake é uma das poucas campanhas que eu acho que conseguem mudar algo com apenas uma hashtag

Lugar de Mulher – blog feminista e sensacional

E, por último, não se esqueçam:

mean-girls-10-year-anniversary-best-quotes-gif77