A sorte de um amor tranquilo

Os livros, os filmes, os seriados, as novelas e toda e qualquer forma de ficção tende a romantizar o amor impossível. Um dos dois tem que lutar pelo amor do outro, problemas como a distância ou a traição jogam 100kg de preocupação nas costas do casal e só o amor conquistado com suor e lágrima vale a pena. E atire a primeira pedra quem nunca demorou pra responder sms, não retornou a ligação e  forjou desinteresse para se fazer de difícil.

Burros somos nós que perdemos tempo com tanta frescura, tanto empecilho. Ainda acreditamos que o amor de verdade é o shakespeariano e desperdiçamos chances de felicidade para ficar sentindo dor com pessoas e situações que muitas vezes nem valem a pena. Perdemos noites de sono e fios de cabelo para lutar por pessoas que não se importam, situações que não se resolvem e brigas que nunca vão chegar ao fim.

Tudo isso para no final das contas perceber que o amor não tem que ser difícil, não precisamos lutar pra alguém gostar da gente. Sentir prazer em sofrer por amor é masoquismo, falta de amor próprio e ilusão de que precisamos conquistar o “prêmio”.

Bom mesmo é encontrar alguém que torne tudo fácil e espontâneo. O segredo é ser natural, ter amor próprio e não investir em mentiras, jogos de sedução e outras armas que só servem para a gente esconder quem realmente somos. Amor de verdade é fácil, porque de difícil já basta todo o resto.

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Crise generalizada

Mas olha, não é possível que eu seja a única. Aliás, basta ver o número de desistências ou trocas de curso na faculdade para saber que algo está errado na hora de descobrir o que diabos a gente veio fazer nesse mundo. Já li que é falta de autoconhecimento, e me parece uma ótima justificativa para tanta gente perdida profissionalmente, no entanto essa falta de autoconhecimento se tornou explicação pra tudo quanto é tipo de problema. Sexo ruim, profissão errada, decisões equivocadas.

O engraçado é que pouco se fala sobre como adquirir autoconhecimento. Testes vocacionais só me apontam pra direções opostas e incoerentes, parar para pensar nos meus interesses já não adianta porque nem eu sei direito quais são meus reais interesses além de comer e dormir. Me sinto errada desde a roupa que estou usando até a cidade em que estou morando, passando pelas piores contas de cartão de crédito e crise de pânico ao ter que falar no telefone. Preciso me encontrar, me entender e saber o que eu to fazendo, o que eu quero fazer. Tenho uma curiosidade em saber se essas pessoas talentosas e que claramente estão no lugar certo já tiveram alguma dificuldade ou se elas simplesmente souberam o que fazer.

No facebook e no instagram todos parecem ser tão bem resolvidos. Adoram o trabalho, viajam assim quando querem para lugares que eu não teria dinheiro nem pra sonhar sobre, são apaixonados pelo curso e tem paixões claras, definidas, talentos moldados. Porra, sério mesmo que só eu que sou essa bagunça? No meu quarto tem roupa e sapato pra tudo que é lado, não sei o que fazer com tanto trabalho pendente da faculdade, meu cabelo nunca tá nem perto de ficar ajeitado e eu já não amo minha cidade mais. Suja, desmotivada e sem saber pra onde ir. Alguém me responda: sou só eu?