As caixinhas

“I still love the people I’ve loved, even if I cross the street to avoid them”. Li essa frase da Uma Thurman há alguns dias e não consigo tirá-la da cabeça. Sempre tive medo de me tornar uma daquelas pessoas estranhas e apegadas ao passado, que acham que o tempo bom e a felicidade estavam em anos anteriores, em pessoas que já não estão mais presentes. Sim, eu tenho medo de continuar amando gente que não está mais na minha vida, seja por simples distância ou por alguma briga homérica.

O fato é: as pessoas que passaram pela minha vida e significaram alguma coisa sempre vão estar guardadas em mim (de preferência numa caixinha lá no fundo da minha mente, porque viver de nostalgia é bobagem). Por um lado, fico feliz em saber que eu tenho a sensibilidade de realmente valorizar as pessoas, ao invés de  simplesmente descartá-las com o passar do tempo. Por outro, não quero me tornar alguém que sofre por não ter mais na vida pessoas que não souberam me valorizar da mesma forma.

Talvez a minha caixa de cartas seja uma metáfora para as pessoas e como eu as guardo. Explico: no fundo do meu guarda roupa eu tenho uma caixa de madeira que eu tenho desde os 11 anos. Ali tem carta das minhas amigas japonesas de Santa Catarina que eu nunca conheci pessoalmente e não falo com elas há anos, tem cartão de aniversário da única menina que ousou ser minha amiga quando eu era a coisinha mais estranha e rejeitada do colégio, tem as mil juras de amor do meu ex namorado. É um lugar que eu guardo fragmentos da minha vida, de pessoas que passaram por ela. Muito de vez em quando, eu abro e lembro das tantas coisas que eu já vivi.

Não, não quero que esses anos voltem, não quero ter essas pessoas por perto. Não sofro pelo passado, não sinto saudades. Mas se alguém me marcou, me marcou permanentemente. Eu não esqueço de gente que me fez bem, mas também não fico revivendo coisas que não voltam. Sim, eu posso atravessar a rua, mas eu ainda vou amar cada um deles.

Continue a nadar

As horas de espera dentro de um hospital são intermináveis. Pra minha sorte (ou azar), eu sou uma pessoa otimista. Consigo sintonizar coisas boas na minha cabeça, me distrair com um bom livro, tentar não me afetar pelo ambiente melancólico, onde todo mundo está doente ou tem alguém que ama doente. Os ponteiros se arrastam, todo toque de telefone é motivo pro coração acelerar, toda informação que sai da boca do médico é preciosa.

Pois bem, eu sou ingênua e acredito que as coisas dão certo para as pessoas de bem. Corrigindo, acreditava, porque toda esperança que eu tenho parece se despedaçar num murro impiedoso. Já tentei acreditar na religião, na ciência, na justiça, no pensamento positivo, na sorte e no acaso. Ah, que bom seria se promessas e o livro “O Segredo” ou se Deus operasse milagres. Mas bastam alguns anos levando socos no estômago para perceber que a única lei operante é a Lei de Murphy.

Não, o mundo não é bom, não é justo e não há nada ou ninguém pra te salvar das desgraças que eventualmente vão aparecer no caminho. Mesmo com isso em mente, o que eu posso fazer? Seguir em frente. Outra forma não há.

Top 3 chubby

Letras de música geralmente tratam de temas profundos, complexos. Um pé na bunda, um amor mal resolvido, ou até mesmo uma homenagem à alguma grande amizade ou musa, como é o caso de Garota de Ipanema. E eu sempre fui meio frustrada por não ter uma música com o meu nome (Mariana) que me fizesse sentir especial. Tem Carolina, tem Anna Julia, tem Juliana… Mas esses dias tava prestando atenção no meu iPod e percebi que sim, existem músicas feitas pra mim. Não falam nada do meu nome, mas sim do meu corpo. E como eu disse anteriormente, letras de músicas são dedicadas a pessoas interessantes, extraordinárias. E até onde eu sei, não existe nenhuma música elogiando o osso do quadril, os pulsos finos ou a barriga lisinha. Já nós, gordinhas, temos ótimas músicas em nossa homenagem:

Fat bottomed girls, you make the rockin’ world go round!

 

Now a whole lot of woman needs a whole lot more